Goethe-Institut recebe lançamento de livro que cruza memórias e espiritualidades do Atlântico negro

Ex-residente do programa Vila Sul, Ana Hupe retorna a Salvador para apresentar obra que conecta Brasil, Nigéria e Cuba

Cinco anos após participar do programa de residência artística Vila Sul, do Goethe-Institut Salvador-Bahia, a artista visual Ana Hupe retorna à capital baiana para lançar o livro “Notas de Rodapé para Cartografias Triangulares”, publicado pela editora alemã K. Verlag. O lançamento será no próprio instituto, no dia 18 de agosto, com bate-papo aberto ao público sobre o processo criativo da obra.



O livro integra a série “Processing Process”, dedicada a artistas cujas pesquisas transitam entre arte, história, antropologia e ecologia. Na publicação, Ana percorre Brasil, Nigéria e Cuba, cruzando espiritualidades e saberes afro-diaspóricos. As notas, que em geral aparecem como complemento, aqui ganham protagonismo e se transformam no corpo do texto. “Quis escrever algo que unisse pesquisa e vivência, um livro que cresceu junto com as histórias que conheci no caminho”, afirma a artista.

O lançamento contará também com a participação do antropólogo Moisés Lino e Silva (UFBA) e da pesquisadora Paola Barreto (UFBA) no bate-papo que acompanha a atividade. A iniciativa integra a programação do projeto “Ecos da Diáspora”, promovido pelo Grupo de Pesquisa Interdisciplinar Balaio Fantasma (UFBA) e pelo grupo Áfricas nas Artes (UFRB).

Durante a residência em Salvador, em 2018, Ana conheceu a princesa Adedoyin Talabi Faniyi, também residente do programa Vila Sul naquele período. Integrante de uma família tradicional Yoruba de Osogbo, na Nigéria, cuja linhagem remonta aos primeiros ancestrais que encontraram o rio Osun, Adedoyin é conselheira do rei Oba Jimoh Oyetunji Olanipekun Larooye II desde 2010. Ao lado dela, Ana participou de visitas a terreiros e comunidades e conversou com pesquisadores locais, experiências que mais tarde se refletiriam nas viagens da artista à Nigéria e à própria Osogbo. “Esse encontro mudou a forma como desenvolvi o trabalho”, afirma Ana.

Para o diretor de operações do Programa de Residência Vila Sul, Leonel Henckes, receber a artista novamente reforça o papel do instituto como espaço de intercâmbio. “A Vila Sul é um lugar onde pesquisas ganham corpo e conexões se formam. Ver a Ana voltar com um trabalho amadurecido é também oferecer ao público a chance de acompanhar esse percurso”, destaca Leonel.

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